RSS

Arquivo da categoria: Primatas

Denúncias e Pontes Suspensas Salvam Vidas

Preocupados com a sorte dos pequenos primatas,  e outros animais, que são eletrocutados, nos fios de alta tensão, voluntários realizam mutirão para a confeção de pontes de corda,  para uma travessia segura.

Denúncias e

Morar próximo a área urbana e ainda precisar se deslocar para conseguir alimentos não é tarefa fácil para os animais silvestres. No caso dos primatas, muitas vezes eles precisam descer as árvores e atravessar a rua para alcançar o outro lado da mata. Mas, muitos deles, nem sempre conseguem completar a travessia, pois são atropelados, atacados por cachorros ou até mesmo capturados por pessoas. Outros ainda são eletrocutados, ao tentarem fazer a travessia pelos fios de luz desencapados.

Nota do blog: Não entrei em contato com o grupo, mas pelas fotos é possível ver que são utilizados canos grossos de pvc (com furos talvez feitos por uma furadeira), nos quais as cordas são inseridas ou trançadas. Ações como essa não são caras. Cordas e canos. O que falta para os gestores públicos é vontade e gente comprometida e com conhecimento em seus quadros.

O grupo Macacos Urbanos, conseguiu que a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), encapasse os fios elétricos. Após denúncia no Ministério Público, com o argumento de que a companhia possuía a tecnologia necessária para evitar o eletrocutamento de animais, mas não a utilizava, a CEEE precisou isolar os fios em todas as áreas onde há registro de morte, queimaduras ou perda de membros nos animais devido a choques elétricos.

Desde 1999, as pontes de corda tem sido instaladas pelo grupo, visando restaurar a conectividade entre fragmentos florestais e minimizar casos de eletrocussão, atropelamento e ataque por cães aos animais silvestres, como o bugio-ruivo.

O grupo Macacos Urbanos, mobiliza mais de 20 pessoas em prol da conservação da fauna silvestre. São integrantes do Núcleo de Extensão Macacos Urbanos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),  promovem mutirões onde biólogos, veterinários, moradores da região e outros ambientalistas, construíram as pontes de cordas para ajudar na movimentação de macacos bugios e de outros animais, como gambás e ouriços. Uma delas teve que ser substituída devido ao péssimo estado. A ponte que foi substituída já estava ali há nove anos, garantindo a passagem segura das famílias de primatas. Já foram registrados ouriço caixeiro e gambá utilizando as travessias.

Leia : PONTES DE CORDA PARA TRAVESSIA DE FAUNA ARBORÍCOLA

Ao todo, já são onze pontes em uso na zona sul e extremo-sul. O grupo começou a instalação das estruturas em 1995 e depende, principalmente, da venda de camisetas para conseguir recursos financeiros. Recentemente, vem conseguindo o apoio do Núcleo de Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente – Smam.

Para conhecer mais sobre o trabalho visite a página Macacos Urbanos no Facebook

Para colaborar com trabalho desses voluntários, entre em contato através do email: macacosurbanos@ufrgs.br

Anúncios
 

Macaco-Preto-de-Crista em Perigo de Extinção é Fotografado

O macaco-preto-de-crista  é um primata endêmico da Indonésia, ou seja, não existe em mais nenhum outro lugar do planeta, e está ameaçado de extinção. Os principais fatores que o levaram a esta classificação são a caça para consumo e outros fins, e o desmatamento de áreas onde vive para dá lugar a agricultura e exploração de madeira.

Macaco-Preto-de-Crista em Perigo

Os pelos na cabeça são diferenciados, formam um tufo de cabelos que dão a impressão de ser uma crista, daí se deu origem ao seu nome. Vive em grupos de 5 a 25 indivíduos, e no geral é uma espécie pacífica que exibe cuidados uns com os outros.

O renomado fotografo da natureza e vida selvagem Simone Sbaraglia, foi quem tirou as fotos. Seu trabalho com animais e ecossistemas tem diversos artigos publicados em várias revistas internacionais.

Inclusive essa série de fotos dos macacos-pretos fizeram com Simone Sbaraglia se tornasse o vencedor do Prêmio de Melhor Fotografia da Natureza 2013, no quesito Espécies Ameaçadas.

Sbaraglia, escreveu em seu facebook: “Os macacos pretos estão criticamente em perigo devido à caça ilegal e a perda de habitat. Passei três semanas fotografando esses primatas incríveis, seguindo os macacos até que eles aceitaram a minha presença. Curiosos por natureza, eles começaram a me explorar e alguns dos macacos se aproximaram e começaram a naturalmente sentar no meu colo e me abraçar enquanto eu fotografava. Espero que minhas imagens possam aumentar a conscientização sobre o futuro deste raro primata na iminência de extinção.” (Simone Sbaraglia)

Para mais informações sobre Simone Sbaraglia visite http://www.simonesbaraglia.com .

 
 

Dian Fossey a Mãe dos Gorilas

“Entre todos os pesquisadores que trabalharam no continente africano, eu me considero uma das mais afortunadas por causa do privilégio de ter podido estudar o gorila da montanha”, escreveu Dian Fossey no prefácio de seu livro. “Espero profundamente que eu tenha feito justiça às memórias e observações acumuladas ao longo dos meus anos de pesquisa do que eu considero ser o maior dos grandes primatas”.

“Todos os seres têm o mesmo direito e necessitam ser tratados com o mesmo respeito que os seres humanos”

Hoje, cerca de 30 anos após escrever essas palavras, não há dúvida de que o seu trabalho tenha feito toda a diferença para a sobrevivência e preservação de famílias de gorilas da montanha em Ruanda. 

dian_fossey_mae-gorilas

A luta de Dian Fossey foi vivida no cinema pela premiada atriz norte-americana Sigourney Weaver. O drama, dirigido por Michael Apted, remonta os anos em que se dedicou à preservação dos gorilas da montanha, ameaçados de extinção pela caça indiscriminada. No filme biográfico, Fossey usa todos os meios possíveis para protegê-los, mas a causa se tornou uma obsessão que nem mesmo Bob Campbell, fotógrafo com quem se envolveu, consegue fazê-la desistir.

Sua fundação, Dian Fossey Gorilla Fund International, continua trabalhando para manter a vida selvagem do local segura. O grupo agradeceu a homenagem ao Google e divulgou a homenagem na sua página no Facebook. “Em homenagem ao que teria sido o aniversário de 82 anos de Dian Fossey, em 16 de Janeiro de 2014, o Google criou um novo Doodle”, celebraram os zoólogos.

BIOGRAFIA DE DIAN FOSSEY

Nascida em San Francisco – Califórnia em mil novecentos e trinta e dois, terminou seus dias nas Montanhas de Virunga-Ruanda no ano de mil novecentos e oitenta e cinco um dia após o natal e junto de seus amados amigos gorilas fora sepultada aos cinquenta e cinco anos.

Zoologista com especialização em primatas estudou por oito anos consecutivos grupo de gorilas que habitavam as florestas das montanhas de Ruanda, suas ações preservacionistas comparam-se às de Jane Goodall[3] que desenvolveu similares pesquisas com chimpanzés.

Inicialmente trabalhou com terapia ocupacional com crianças portadoras de síndrome de down, interessou-se pela África, especificamente por estudos com gorilas que habitavam as montanhas de Ruanda entrando em contato com as pesquisas do dr. Louis Leakey[4] e sua esposa, e ao entrar em contato com o pesquisador devido à sua perspicácia e insistência ele a convidou para desenvolver a pesquisa que a tornou futuramente em especialista nos referidos primatas. O referido casal fora responsável inicialmente fundos e reservas de sustentação financeira das pesquisas por ela realizadas.

Através de ações de salvaguarda dos gorilas, Dian funda o Centro de Pesquisa Karisoke que conseguiu ainda mais apoio e auxilio quando houve a divulgação de suas pesquisas em publicações e fotografias  na National Geographic, em entrevista à fotógrafo free lance Bob Campbell[5], que a retratou em sua relação saudável, mas muitas vezes beirando à irracionalidade com grupos de gorilas. Sua inter-relação natural e respeitosa para com os animais, a floresta e o ser humano,  fora retratada de forma a abrir os olhares da comunidade científica para que considerasse sua pesquisa de campo como algo a ser considerado.

Fossey suportou heroicamente às negativas investidas de grupos que desejavam lucrar com a venda das mãos e cabeças de seus amigos gorilas, muitas vezes tendo que tomar atitudes que a tornara “persona non grata” de políticos, polícia, tribos aborígines hostis, traficantes ecológicos, políticos que desejavam lucrar com a implantação de pólos turísticos na África, sem o devido respeito à floresta e seus habitantes naturais; ara eles era forte rival e verdadeira guardiã daquilo que queriam usurpar.

Um ação que a tornara ainda mais combativa na preservação dos gorilas da África foi sua total repulsa aos sistemas zoológicos implantados por países estrangeiros que traficavam animais e não davam nesse processo todo nenhuma demonstração de  bons tratos para com os animais, que eram chacinados em sua caça, com sua prisão, no transporte e na falta de adaptação e comodidade nos zoológicos que eram submetidos; o que diminuía a taxa de  sobrevivência animal. Dian fora responsável pelo novo repensar da comunidade internacional que convertera o aumento do espaços naturais destinados aos animais em uma legislação um pouco mais justa e digna,mas Dian sabia que havia muito ainda por fazer.

A primatologista foi brutalmente assassinada em seu quarto enquanto dormia, muitos acreditam que ela fora morta devido à sua intervenção contrária à exploração turística e financeira dos gorilas; bem como pelas suas ações de denúncia do envolvimento das autoridades de Ruanda nesse processo. Após sua morte toda sua equipe fora feita prisioneira e a posteriori solta, exceto seu assistente de confiança e guia Rwelekna fora encontrado morto em sua cela, supostamente fora relatado pela polícia que ele cometera suicídio.

Muitas das organizações se opuseram à Fossey, incluindo o escritório de Turismo de  Ruanda, atravessadores  escravagistas, pois tinham em sua meta a continuidade de utilização do tráfico enquanto fonte de renda  e lucro.

As semanas que antecederam a morte de Dian, houve a recusa da renovação de seu visto de permanência na África para que continuasse suas ações e pesquisas. Graças à boa parceria de Fossey que aliou-se à um secretário geral governamental que era simpatizante de suas ações  e contrário ao que ocorria em Ruanda, conseguira secretamente seu visto de permanência. Tal situação fora determinante para sua  morte precoce e criminosa, pois assim sendo daria continuidade  às suas ações.

A pesquisadora fora enterrada  no local por ela destinado para o sepultamento dos gorilas que foram assassinados (retiravam-lhe apenas as mãos e a cabeça e os  corpos eram deixado na mata). Ficara ao lado daqueles que aprendeu a amar e defendeu com sua própria vida, pois acreditava que “todos os seres tem o mesmo direito e que necessitam ser tratados com o mesmo respeito que os seres humanos (…)”[6]

Uma de suas amigas pessoais, Shirley McGreal, continua a trabalhar na proteção dos primatas dando continuidade ao trabalho de Fossey na  Liga internacional da proteção do primata(IPPL). Nota: Uma das poucas organizações dos animais selvagens que de acordo com Fossey promovem moral, ética e eficazmente “o conservação ativo”.

Após a morte de Fossey, o Centro de Pesquisa Karisoke fora saqueado e o que restou do local fora dirigido por pesquisadores que estiveram com ela. Hoje existe somente os restos remanescem de sua cabine que foi convertida em um museu para turistas. Durante a guerra civil os parques de Virunga foram invadidos por refugiados e áreas  de preservações foram destruídas de  forma ilegal.

A FILOSOFIA E DIAN FOSSEY

dian_fossey

DIAN E A VIOLÊNCIA

A guerra e a caça desenfreadas na África é responsável  por milhares de mortes e entre eles a dos gorilas pesquisados por Dian Fossey, que foram dizimados de forma brutal e beirando à crueldade a ponto de estar na lista de animais em extinção, segundo o Fundo Internacional Dian Fossey para os Grilas- DFGFI (sigla em inglês) nos últimos dez anos: “(…) Encontramos duas importantes populações dos gorilas de Grauer que estavam gravemente subestimadas, negligenciadas ou cuja existência se desconhecia, disse Patrick Mehlman, vice-presidente do DFGFI para a África”

Dian estabeleceu uma batalha declarada contra uma legião de inimigos formados por caçadores, agricultores que devastavam habitat dos gorilas, políticos corruptos e corruptores, entidades internacionais exploradoras da situação político social da África, traficantes mercenários de animais, entre outros que se aliaram e  desestruturaram sua luta  em defesa dos primatas e a vitimaram violentamente, na tentativa de calar sua voz.

Até onde pode a pesquisadora usou de todos os subterfúgios que estiveram ao seu alcance e tornou-se dessa forma um perigo constante e poderoso aos que eram contrários às suas ações. Hoje sabemos que esse processo destrutivo continua no Congo e os autores dessas imposturas fazem até uso do nome de Dian e arrecadam suntuosas verbas para manter organizações que não tem interesse em manter vivos os gorilas e sua montanha, mas somente angariar valores para seu uso particular.

Dessa forma caracteriza-se outra forma de violência para com a pesquisadora, eis mais uma forma de violência para com a pesquisadora, mas as ações são travestidas enquanto boas ações. Mas jamais assumirão tais imposturas. Segundo Jean Marie Muller[7], “O homem violento se defende sempre com ataque. É sempre o outro que começou. No conflito entre israelenses e palestinos, cada lado usa a violência para se defender da violência do outro. Os dois justificam seus assassinatos pelos seus mortos. É verdade que é preciso se defender. A questão é encontrar as estratégias não violentas eficazes para isso. No nível pessoal, as artes marciais são métodos não violentos de autodefesa(…).É necessária uma mediação internacional. Seria preciso que centenas, milhares de voluntários internacionais formados na resistência não violenta de conflitos se dirijam para lá e usem os métodos de mediação no interior sociedade civil”.[8]

Nesse processo a violência deixou de ser conceitual para assumir questões físico criminosas, não somente no plano humano, mas relativo também à uma sociedade abastecida pela ignorância a fim de não se estabelecer critérios de escolhas e opiniões próprias, pensar por si e para si, violência para com o meio ambiente, que sofre pela ganância e desinteresse em sua defesa e manutenção,  violência para com os animais que  elencam-se na lista de animais em fase de extinção, violência para com a comunidade científico acadêmica que fora desrespeitada e impedida de dar prosseguimento às suas pesquisas, violência para com seres humanos que defendiam valores diferenciados daqueles que dominavam a África.

dian_fossey_in_memorian

DIAN E O PODER

Dian também se deparou com a questão do poder, quando retrata em seu diário de campo os enfrentamentos com diversos segmentos da sociedade africana em geral: a ignorância dos nativos africanos, as autoridades local que fechavam seus olhos ao que ocorri em troca de propina, dos políticos em vigência que visavam mais lucro próprio do que o bem estar do cidadão e  salvaguarda

Fossey também demonstrou poder quando usou da mídia a fim de despertar a sensibilidade à nível internacional das nações que poderiam intervir no que ocorria com os gorilas, quando viesse a tona a co-participação de cidadãos de seus países, e subsequentemente o envolvimento do país seria notória a necessidade de uma intervenção para cessar tal intervenção negativa. Gerou dessa forma uma inter relação de poderes.

A pesquisadora faz uso dos costumes do povo do lugar para que possa se estabelecer enquanto poder local, através de um estigma de bruxa fazendo se valer do temor dos aborígenes ao seu cabelo longo e avermelhado, que não era comum naquele lugar, pois a grande maioria eram de tez de etnia negra e sua alvura causava estranhamento e por isso a considerava uma feiticeira. Mas verifica-se que a utilização desse artifício utilizado por Fossey direcionava à sua intencionalidade de salvaguarda do habitat e dos grupos de gorilas que estavam em extinção.

Questão: Qual é o padrão conceitual de moralidade nestes dois lados opostos; por um lado Dian Fossey e sua equipe que estabelece critérios de salvaguarda do meio ambiente e dos animais  que pesquisara. Do outro lado o interesse no comercio desregrado de utilização do meio ambiente e comercialização dos animais.

Estabelece dessa forma, uma relação com a filosofia  e esse impasse acima descrito, tal nuance nos remete à questões pertinentes à conceitos de definição da Ética, ou então da Ciência da Moral que é parte da filosofia que trata de costumes, deveres do homem, ou o discernimento das variáveis do significado do que são os bons costumes, e como variam de acordo com os valores impingidos na sociedade que os aplica. s bons costumes e valores éticos, até que ponto Dian isentou-se de seus dogmas e superstições pessoais a fim  de que pudesse realizar suas pesquisas e ações de salvaguarda tão aparentemente notável pelos seus atos?

Se poder significa ter através da força, independente da forma utilizada para tal, podemos provocar a intercambialidade e unificação aparente desses valores, mesmo que aparentemente seja impossível devido ao seu lado oposto. Há ações de poderes intrínsecos em ambas as partes e nelas, mesmo que em lados opostos  ocorre enquanto substancia, ora enquanto forma. Tanto Fossey, quando seus opositores, poderão ser ato, ou de potencia; dessa forma  poder e ética há de se tornarem parceiros e independente do direcionamento dado socialmente  ou por determinado grupo social.

Filosoficamente desperto o questionar de o que vem a ser ética quando ela  é utilizada parasse estabelecer poderes?

Verifica-se que Ética e Poder, são dois conceitos que abarcam conceitos complexos de significados, e juntos tais conceitos poderão representar elementos que distinguirão indivíduos e todo contexto sócio econômico que são inseridos,normalmente estão dissociadas em seus valores e significados, mas o que leva a essa dissociação. Segundo Focault[9]“(…) o que quero dizer quando falo de relações de poder é que estamos, uns em relação aos outros, em uma situação estratégica. Por sermos homossexuais, por exemplo, estamos em luta com o governo e o governo em luta conosco. Quando temos negócios com o governo a luta, é claro, não é simétrica, a situação de poder não é a mesma, mas participamos ao mesmo tempo dessa luta. Basta que qualquer um de nós se eleve sobre o outro, e o prolongamento dessa situação pode determinar a conduta a seguir, influenciar a conduta ou a não-conduta de outro.

Não somos presos, então. Acontece que estamos sempre de acordo com a situação. O que quero dizer é que temos a possibilidade de mudar a situação, que esta possibilidade existe sempre. Não podemos nos colocar fora da situação, em nenhum lugar estamos livres de toda relação de poder. Eu não quis dizer que somos sempre presos, pelo contrário, que somos sempre livres. Enfim, em poucas palavras, há sempre a possibilidade de mudar as coisas.”

DIAN E A (BIO)ÉTICA

Os respectivos valores preservados pela pesquisadora, tornaram-na também em uma especialista atuante em questões pertinentes à bioética, tão em voga na atualidade, onde especificamente por suas atividades e intervenções sócio culturais que modificaram concepções, legislações e inseriram no contexto o cidadão a nível mundial na ciência dos fatos de ações destrutivas do meio ambiente e de um grupo de símios que estavam a beira da extinção, pois ousou abandonar a sedução casuística e sentimentalize de uma teoria romanesca e ou munida de concepções equivocadas em relação  à comunidade de gorilas existente na África, tão bem “mal” difundida em filmes  e na multi mídia em geral, colocando-os como feras destrutivas e os seres humanos como seres vitimados e desprovidos de proteção.

O filme A Montanha dos Gorilas, traz à tona as inverdades e imposturas cometidas e difundidas por aqueles que usurparam o direito à vida de seres que mantinham-se em harmonia com o meio ambinte que viviam, porque simplesmente eram parte integrante do mesmo.

Neste caso os invasores e destruidores foram desvelados à comunidade científica e ao cidadão leigo que tiveram acesso ao documentários, fotos e denúncias dessa primatologista que graças ao seu incansável processo de resistência perseverou e chamou atenção como a National Geographic e a BBC de Londres. Como todas as conquistas da humanidade, a trajetória de defesa da ética na pesquisa, e sempre está relacionada com o que ocorre no entorno que o objeto de pesquisa, e tudo o que está inserido neste contexto, e assim é tratada como uma conquista no campo dos direitos humanos – é percorrida por inúmeras situações de desrespeito e violação dos direitos dos sujeitos envolvidos na pesquisa.

DIAN E A PESQUISA

Pesquisa de campo, barreira a ser definida enquanto superação e redescobertas  que muitas vezes  podem mudar conceitos ou até mesmo o direcionamento a ser dado inicialmente enquanto projeto de pesquisa. Há algo que sai do controle laboratoriais ou dos gabinetes daqueles que teorizam e muitas vezes estabelecem critérios e metodologias que jamais se deveria ser contestadas.Dian o fez… contestou, modificou, subverteu a teoria academicamente estabelecida abrindo novos caminhos e novas possibilidades para aquilo que ela não só chamou de pesquisa de campo, mas vivenciou, interagiu e interviu socialmente.Não se deteve ao se deparar com questões éticas estabelecidas numa nova sociedade  e cultura que teve contato, apreendeu muito dessa cultura e a fez presente em suas pesquisas numa miscigenação  da tradição com  o cientificismo que lhe era usual e com essa interação do mítico com a ciência prevalece o objeto a ser pesquisado e tão somente através desse processo inovador ocorre a possibilidade de se estabelecer  possibilidades de aproximação, coletas de dados para que pudesse abastecer a comunidade acadêmica de novos materiais de pesquisa a serem realizado nos gabinetes asséptico e hermeticamente acoplado em alguma universidade.

A ciência se abastece daqueles saberes que se originam nos incultos para que possa fazer surgir a possibilidade de novos conceitos  e difundi-lo para o mundo que aguarda…Na filosofia também deveria ser dessa forma, jamais esquecermos daqueles que desbravaram os conceitos e nos enriqueceram com novos padrões e linhas de pensamentos que muitas vezes ainda é vigente e utilizados até os dias de hoje. Ou então somos influenciados  sem mesmo percebemos, pois tais conceitos há muito estruturados são muitas vezes incorporados ao sistema social e elencado ao senso comum enquanto verdade usual e cotidiana e nem mesmo temos consciência de sua origem.

O desafio é estabelecer critérios para que o processo de uma pesquisa de campo torne-se também referencial de proximidade e exatidão de uma metodologia adequada e cientificamente estruturada. Ocorre por vezes de uma metodologia não ser ainda não usual e ou reconhecida enquanto tal, por se tratar o objeto de pesquisa algo que ainda não se estabeleceu enquanto interesse ou foco utilizável para a composição de um projeto especifico devido ao seu perfil ou peculiaridades que o compõe. Percebe-se dessa forma que um dos maiores embates junto à comunidade acadêmica reside também nessa  reinvenção, considerando tal postura ou prática academicamente inaceitável.

QUESTÃO: Como desenvolver a imparcialidade e distanciamento necessários na produção científica se todo o contexto envolve o vivencial, o real e a realidade que bate à porta  e exige posturas praticas, emergenciais  e tangíveis?

Seria uma impostura dessa cientista pesquisadora tal envolvimento, sendo que devido a essa ação ocorrera  a legalização em caráter mundial de normas e condutas de defesa e preservação?

Lembrando: todo trabalho seu ganhou notoriedade e aceitação incontinente da comunidade científica, sua inexperiência e metodologia própria fora base de seu trabalho e apropriada por muitos outros que seguem caminhos paralelos e ou similares ao dela. No ponto de vista metodológico tomamos  que o juízo por ela optado tende  à impossibilidade de padrões comparativos, mas sim valores similares  em outras pesquisas feitas com grupos de chimpanzés, que se diferenciam enquanto espécie, padrão comportamental e principalmente região abarcada de  habitat de cada grupo, como afirma Helvetius[10]:  ”Uma nova ideia surge da comparação de duas coisas que se não haviam comparado” .

Fica a questão: Até que ponto o pesquisador poderá interferir no seu objeto de pesquisa, ou mesmo modificar o curso de seu processo fenomenológico?

Qual a ética abordada nesta questão?

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ato de uma pesquisa requer atos de coragem e de refinamento da ótica daquele que observa. Muitas vezes ocorre a necessidade de se ultrapassar as mais diferentes e dificultosas barreiras, tanto em nível da pesquisa quanto em linhas de valores muitas vezes adquiridos e pessoais de cada indivíduo que desenvolve a pesquisa.

Muito do produto final do objeto de pesquisa é decorrente da dedicação diferenciada e do empenho engendrado nas ações daquele pesquisa. São horas, são detalhes, são entalhes conceituais, repetições, são recomeços; estendidos na temporariedade que se prende o pesquisar. Nesse processo não se carece de ausências na família, nem se teme o distanciamento de amigos ou se prende na inexistência  das tão necessárias horas de lazer.

Esse filme tende nosso pensamento à urgência emergencial de se estabelecer critérios que tenham sua sustentabilidade estrutural no reino da ética e dos padrões de uma mora lapidada em conceitos de respeitabilidade para com o todo e a parte.

Não são poucos os desafios, a quantificação só é comparável pela grandiosidade da consciência da necessidade de salvaguardar o bem mais precioso que é a natureza e tudo aquilo que lhe é parte. Dian sabia disso, ou melhor vivenciava diuturnamente essa questão, não só pelo seu compromisso para com a pesquisa, mas principalmente pelo seu comprometimento para com os seres que deixaram de ser objeto de pesquisa para serem seres com necessidades de respeito pela sua diferença e de cuidados para que possam ter continuidade na existência em seu ciclo natural e biológico.

Ao deparar-se em uma sociedade totalmente desestruturada moral e eticamente diante os padrões de conduta em que a pesquisadora Fossey fora esculpida, todos os enfrentamentos contrários às suas linhas de ações foram desafios a serem vencidos gradativamente, mas a vontade de parte dessa sociedade falou mais alto; a parte que dominava, e que detinha poder, parcerias escusas e interesses particularizados  e caracterizados pelo lucro próprio.

O desafio fez-se presente até mesmo quando se predispôs realizar a pesquisa inicial, pois fora considerada pelos respeitáveis doutores dos saberes da ciência, inexperiente e até mesmo incipiente na temática nesta linha de pesquisa, aproveitou-se do espanto causado por sua determinação e engendrou-seno mundo dos pesquisadores muitas vezes já catedráticos na área de pesquisa,mas inexperientes em pesquisa de campo.

Outros fatores atenuantes que para muitos seria motivo de inviabilização de uma pesquisa mas que para Fossey foram apenas questões a mais a serem transpostas: a convivência com uma nova cultura por demais diferenciada da sua; condições primitivas de vida que teria que se submeter; falta de dados anteriores sobre o tema pesquisado para servir de base inicial; ser responsável  por conseguir financiamentos para dar suporte financeiro para a pesquisa; e a total falta de apoio governamental que por interesses escusos era fonte incessante desestímulo da continuidade de suas pesquisas.

O que remete um ser humano a se tornar um referencial pelo seu trabalho de pesquisa, sua metodologia inventiva e inusitada, muitas vezes jamais mensurada pelos profissionais da ciência?

O que perpetua conceitos e ideias e os torna um continuam gerando elementos que transladam livremente pelas suas peculiaridade sem espaço, nem  tempo definido, como fora ressaltado no filme: “os grilas não respeitam fronteiras, pois não são seus o conceito de territórios ?

O legado de Fossey fora seu envolvimento assistemático, ou melhor, sua sistematização diferenciada pela genialidade que lhe era peculiar também pelo seu pioneirismo na defesa do meio ambiente num ambiente hostil à sua causa. Mas tomou para si sua reputação de feiticeira dos cabelos vermelhos e fez da reputação gerada pela ignorância de um povo desprovido dos saberes nela contido da tribo africana existente, utilizando essa fama em favor à sua causa; sim sua pesquisa tornara-se sua causa, e a defendera com seus saberes abastecido pelo mito gerado pela sua postura e atuação.

Numa disparidade de informações que realizam os animais em extinção muitas vezes como perigo aparente, neste caso os símios também são vitimados  pela má fama da violência, quando na verdade há de se considerar sua realidade instintiva e primal, que os fazem únicos e que devem ser preservados enquanto tal, fato que Dian percebeu à primeira vista e fez dessa percepção ponto principal para por ao alcance mundial os saberes  que ela conseguira apreender com cada espécie que estudou.

AFINAL QUEM É O VERDADEIRO SER PENSANTE? E ENTÃO ?

“Uma luta amarga pela sobrevivência – Texto de Dian Fossey

Chamava-se Digit e tinha-nos deixado. O corpo mutilado, de cabeça e patas decepadas como troféus macabros, jazia no mato, sem vida, como um saco ensanguentado. Ian Redmond e um batedor nativo sofreram o choque inicial, tropeçando no corpo perfurado e estropiado por uma lança, no final de uma série de armadilhas para antílopes montadas por caçadores furtivos.

Aturdido, Ian recompôs-se e veio à minha procura, noutra zona da floresta. Extraordinário aluno assistente, Ian partilhava comigo a intenção de associar equilibradamente a investigação ao objetivo de salvar os gorilas de montanha em risco, por mim estudados a partir do acampamento-base nas montanhas ruandesas de Virunga, na África Central.

Senti esta morte como provavelmente o mais triste dos acontecimentos ocorridos durante todos os anos em que partilhei as vidas quotidianas dos gorilas de montanha, atualmente reduzidos a uns escassos 220 indivíduos – número que baixou para metade, em apenas 20 anos.

A verdade é que não tinha qualquer vergonha em chamar-lhe “o meu adorado Digit”.

E agora a mágoa fazia crescer em nós a ira-raiva contra os caçadores furtivos que tinham cometido a carnificina.

Mas a caça furtiva é apenas um entre muitos fatores de pressão que levaram o gorila de montanha à beira da extinção.

Entre as ameaças contam-se o alargamento da presença humana, a deflorestação, a recolecção ilegal e a atividade turística.

O triste fim de Digit em 1977 foi uma tragédia, mas, ao longo da minha investigação, acontecimentos devastadores como este foram equilibrados pela recompensa de muitos progressos no nosso conhecimento sobre estes primatas extraordinários.”

SINOPSE DO FILME “NAS MONTANHAS DOS GORILAS”

O presente filme trata-se do registro cinematográfico das atividades desenvolvidas pela pesquisadora e especialista em primatas, Dian Fossey, interpretada pela atriz Sigourney Weaver. O contexto inicia-se na segunda metade década culturalmente efervescente dos anos sessenta, onde, a cientista é contratada  pelo pesquisador Louis Leakey para realizar o censo e estudos comportamentais dos gorilas existentes na África, especificamente na região de Ruanda, na conhecida Montanha dos Gorilas. Em princípio quase em descrédito  e descaso pelo seu contratante Louis devido à sua inexperiência, é deixada em Ruanda para realizar sozinha a pesquisa, desafio que aceita, mesmo pega de surpresa, pois não dominava os costumes, a língua do povo do lugar e nem mesmo conhecia o local que realizaria a pesquisa.

O desenvolvimento de sua pesquisa fora tomando forma e conteúdo através de seus experimentos  e do prazer vivencial no cotidiano e em cada descoberta e surpresas que a montanha lhe presenteava, tanto as agradáveis quanto as nem tanto; tal fator teceu ainda mais no caráter da pesquisadora o desejo de  defender o objeto de sua pesquisa daqueles que até então impunemente eram responsáveis pelo quase extermino dos gorilas existentes na floresta, haja vista os mesmos estarem em fase de extinção devido também  à ganância, parcerias espúrias e imorais, bem como a utilização indevida de parte dos corpos mutilados dos símios enquanto troféus e ou utensílios de decoração.

Dian em nome da defesa salvaguarda e preservação dos primatas que aprendeu a  amar enfrentou por diversos momentos a ira da polícia, de guerrilheiros, tribos corruptas, crenças locais, traficantes de animais, políticos desonestos. Por se tornar defensora de seus amigos gorilas, pagou com sua própria vida, pois teve uma morte trágica que não fora esclarecida até os dias de hoje.

O nome, pesquisa e as ações da primatologista Dian Fossey tornaram-se mundialmente  conhecidos quando obteve apoio midiático e a  divulgação de suas pesquisas, bem como denúncia da realidade político ambientalista que enfrentava. A revista National Geográphic tornou-se ainda mais conhecida no setor científico através de filmagens, reportagens e fotografias, trazendo à tona as condições que se encontravam os gorilas, enfatizando a urgente necessidade  de ações que visassem a preservação da espécie e criação/expansão de reservas ambientais,  que deveriam sistemática e constantemente supervisionadas, mantidas, vigiadas e salvaguardadas para que os animais possam ter chances de sobrevivência e continuidade da espécie. O mundo se conscientizou e se sensibilizou com a causa que Dian defendeu, e muitas organizações internacionais se aliaram a ela.

Pioneira em suas ações e metodologias, tornou-se referencia internacional na pesquisa de campo, demonstrando também que o cientista/pesquisador deve sim ter postura de distanciamento, mas quando necessário deve,por questões de ética e de moral intervir para que o objeto de sua pesquisa possa ser  preservado. Outra questão observada é a aparente necessidade que ela desenvolveu de inserir-se diretamente no contexto para que pudesse obter aproximação devida  e aceitação do grupo que ela estudava.

 

Orangotango bebe é brutalizado e teve seus dedos da mão cortados por fação

Por que alguém faria isso com um bebê orangotango? A pequena Sura está traumatizada e fica olhando os tocos de seus dedos perdidos que foram cortados com um facão durante a derrubada de mais uma área de floresta.

oragotango (1)

Sura, de apenas quatro meses, foi encontrada ferido em Tumbang Koling, em Bornéu na Indonésia, depois de uma floresta foi desmatada para uma nova plantação de óleo de palma. A pequena filhote de orangotango está se recuperando depois de ter as pontas dos seus dedos decepados.

Sura, foi encontrada por um morador da aldeia Tumbang Koling em East Kotawaringin Regency, e está sendo cuidada  por especialistas do centro de resgate a Nyaru Menteng. Os veterinários realizaram um exame de saúde completo e descobriram que três de seus dedos tinham sido cortados por uma faca ou facão.

Sura agora precisa ser cuidada por uma babá em tempo integral. A ONG BOS – Borneo Orangutan Survival Foundation, está ajudando a financiar o centro de resgate e os cuidados que a pequena Sura para se recuperar do trauma. Este é o mais recente episódio cruel e vergonhoso na controvérsia sobre o desmatamento da floresta, e de como as empresas tratam a vida selvagem da Indonésia para impor suas plantações de óleo.

O desmatamento provocou um rápido declínio na população do orangotango. Ambientalistas alertam este é o mais recente em uma série de ataques brutais contra as criaturas. Eles temem que apesar dos anos de trabalho na educação das aldeias remotas sobre a necessidade de proteger, não capturar ou matar, esses animais cujos números estão caindo drasticamente, não é suficiente contra os desmandos da indústria do desmatamento.

Cerca de 100 anos atrás, pensava-se que havia 315 mil orangotangos na natureza, mas hoje existem menos de 54.000 em Bornéu e apenas cerca de 6.000, na ilha indonésia de Sumatra.

Como as indústrias procuram lugares para cultivar o óleo de sabonetes e perfumes, os hábitos naturais dos primatas estão sendo extintos pelos tratores que dizimam as florestas o habitat natural dos animais

E agora sem lugar para morar ou para se alimentar, muitos primatas foram capturados por moradores locais, são abusados, e usado para entretenimento.

oragotango (2)

No mês passado, O Resgate Internacional de Animais salvou um orangotango de Tempurkan, que não tinha nem comida ou água e estava sendo forçada a dançar e lutar com os humanos.
Alertados por um morador, a entidade encontrou a orangotango Ael – o que significa “Saint” – após a terem sedado, ela foi levada para um centro de resgate.

Enquanto isso, os moradores foram informados de que a captura e manter um orangotango é contra a lei na Indonésia.

Fonte: Daily Mail

Nota do Blog: A Fundação Borneo Orangutan Survival (BOS) é uma ONG indonésia sem fins lucrativos, fundada em 1991 por Willie Smits, dedicada à conservação do orangotango-de-bornéu e seu habitat. A BOS é a maior ONG conservacionista de primatas do mundo.

Os santuários de Nyaru Menteng e Samboja Lestari são os locais da organização que recebem mais extensa cobertura da mídia. Nyaru Menteng tem sido o foco de muitas séries de TV, incluindo Orangutan Diary e Orangutan Island, enquanto Samboja Lestarifoi apresentada em 2009 numa conferência TED em que Willie Smits explica como é que ele recriou uma floresta para fornecer habitat aos orangotangos resgatados.

Leia Também

 

2000 Animais aguardam pelo seu calor

 

>SOS Macaquinhos

>

Vitimas do tráfico de animais, e dos maus-tratos e da desnutrição que sofreram, macaquinhos de várias espécies, como o sagui, o mico-de-cheiro e bugios, chegam ao santuário do Projeto Mucky, trazidos pelo Ibama e outros órgãos e instituições como o CETAS e Mata Ciliar, como a última chance para que consigam sobreviver com qualidade de vida.

ajude_mucky

Nos seus 25 anos de existência, sempre houve dificuldades, mas agora o santuário constará da lista de perigo de extinção, se não for ajudado por pessoas e empresas. A necessidade diária de se fornecer alimentação fresca e adequada a esses primatas, composta de frutas e legumes, e um mingau essencial a eles feito a base de leite em pó, bem como pessoal para preparar e servir a alimentação três vezes ao dia aos macaquinhos está comprometida, bem como todos os outros tratamentos de fisioterapia e acupuntura os quais alguns saguis necessitam, podem acabar devido a falta de pagamento do salário dos técnicos.

Veja nesse vídeo um pouco do dia-a-dia do Projeto Mucky (www.youtube.com/watch?v=Bp8bJCrGOzM)

 

Como no Brasil, não existe nenhum subsídio que favoreça qualquer entidade que se proponha a abrigar, alimentar, medicar e manter qualquer animal, vitimado pelos maus-tratos ou pelo abandono, ou pelo tráfico, ONG’s como o Projeto Mucky dependem única e exclusivamente da doação e da consideração das pessoas físicas e da conscientização das pessoas jurídicas que incluem em sua trajetória a sua responsabilidade social.

Slide5

Enfraquecidos – “Os animais chegam aqui extremamente debilitados, com sequelas (marcas, consequências) físicas e emocionais, resultado do tráfico de animais silvestres”, resume a fundadora e coordenadora do projeto. O local abriga não apenas alojamentos para os animais, mas também pessoas dedicadas à causa, que trabalham em prol do bem-estar dos primatas. Elas passam o dia cuidando, com extremo zelo, de cada um.

Paralítico – Um exemplo de toda essa dedicação é o sagui Pacheco. Paraplégico, ele tem dificuldades de urinar e defecar sozinho. Para que possa fazer isso, é preciso da ajuda diária das tratadoras, que o auxiliam com massagens. “Ele ficou assim devido a um acidente doméstico. Provavelmente tentou subir em uma mesa, e como não conseguiu se agarrar em nada, caiu e se machucou seriamente.”

O projeto também conta com uma enfermaria. Atualmente, um filhote de bugio-ruivo, de cinco semanas, fica em um recinto especial, pois perdeu a mãe. “Os traficantes matam a mãe para vender o filhote”, detalha Lívia. “Mas as pessoas se esquecem de que os filhotes crescem e, por serem animais silvestres, apresentam comportamento às vezes agressivos, mordendo o dono.”

Terror – Apesar das histórias relatadas por Lívia, muitas dignas de filmes de terror, boa parte dos primatas que chegam ao sítio consegue sobreviver. Mas apesar disso as sequelas são visíveis. Em cada viveiro, muito bem cuidados e limpos, há uma vida marcada pela ganância e pelos maus-tratos. “Deformidades nas patas causadas por desnutrição, alguns macacos sem braços ou pernas, outros sem rabo, outros com problemas neurológicos e emocionais. E por aí vão os exemplos de como o ser humano pode ser tão malvado.”

Slide6

Tanta maldade – Das várias histórias tristes relatadas por Lívia, que se emociona toda vez que relembra delas, dois chamam a atenção e chocam qualquer pessoa. “Este sagui, a Purpurina, não tem um olho porque foi arrancado para fazer magia negra”, recorda. A outra história é do sagui Funcho, cego de ambos os olhos. “Este macaco é um exemplo de até onde a maldade do homem pode chegar. Ele foi cegado com um cigarro para ficar manso.” Impossível não se emocionar ao vê-lo tatear no local onde fica, em companhia de outro macaco, também da espécie sagui, se orientando apenas com a voz de Lívia. “Oi, meu amor, eu estou aqui. Como você está?”, pergunta a fundadora do Projeto, que tem um amor por eles impossível de descrever.

Doações – Mas, apesar de todo o trabalho e dedicação, o Projeto vive apenas da doação de empresas e de pessoas. “Não recebemos um centavo sequer do governo federal, estadual ou municipal. Isso faz com que passemos por muitas dificuldades. Há dias, por exemplo, que não temos dinheiro para colocar combustível no carro para buscar alguma doação.” Mesmo assim, Lívia não desiste. “Eles precisam de mim e nunca poderei desampará-los.”

As campanhas Padrinho Legal cobre apenas cerca de 30% do gasto mensal fixo. Outros cerca de 20% advém da venda de camisetas, adesivos e chaveiros, das taxas de adoções e de contribuições eventuais. Assim, todo mês temos que fazer apelos desesperados para cobrir os cerca de 50% de déficit mensal.

É primordial, portanto, que consigamos mais padrinhos para que possamos ter uma arrecadação mensal fixa que nos permita cobrir todas as nossas despesas, evitando assim que passemos todo mês pela angustiosa possibilidade de não ter como saldar nossos compromissos.

Assim, se você quiser se tornar um padrinho, ajudando tantos peludos necessitados, o procedimento é simples:

1) envie um e-mail para qualquer uma das entidades ASSUNTO: QUERO SER UM PADRINHO LEGAL!
2) na mensagem, informe seus dados (nome completo, endereço com CEP e telefone para contato)
3) informe o valor com o qual quer contribuir mensalmente e a melhor data para pagamento (dia 10, 20 ou 30).
4) Informe se quer pagar contra boleto bancário ou se prefere fazer um depósito em conta.
(Para pagamento por boleto o valor mínimo deverá ser de R$ 30,00 devido às despesas cobradas pelos bancos).

Bradesco Ag. 0627 C/C 57633-6 ou Itaú Ag. 0796 C/C 60400-7

O início – O Projeto Mucky teve início há 25 anos, quando Lívia recuperou um macaco, o Mucky, que vivia com um mendigo, no bairro do Limão, em São Paulo. “Ele tinha uma cordinha amarrada ao pescoço, que o machucava muito. Foi a partir daí que eu conheci as atrocidade s do tráfico de animais.”

No sítio, a rotina é intensa: inclui o fornecimento de três refeições variadas para cada um dos 84 viveiros, pesagem dos animais, ornamentação das gaiolas com galhos, folhas e flores, duas rondas, de manhã e à tarde, para checar o estado de todos os macacos, banhos de sol e, aos mais debilitados, cuidados especiais por meio de hidroterapia, fisioterapia, florais e fitoterápicos. Jiló é um deles. Tem atrofia nos membros inferiores e quase todos os dias fica 20 minutos com as pernas mergulhadas numa pia cheia de água morna. Ali, a voluntária Mara Ramos lhe faz massagens, sob protestos do bichinho. Como Jiló, todos têm um nome, que Lívia sabe de memória. “E eles também sabem”, pontua.  

Não é fácil para a ambientalista e sua equipe seguirem firmes nesse ideal. Todos os meses, a entidade tem gastos em torno de 18 mil reais, em função dos salários dos funcionários, compra de alimentos, remédios e outros itens. O pomar com árvores frutíferas utilizadas na alimentação, como embaúba e mangueira, apenas alivia as contas.

O resultado do tráfico são os efeitos que os primatas carregam por toda vida. “Isso acontece porque existem pessoas que compram esses animais como ´pets´, ou seja, achando que poderiam tratá-los como um cão ou gato doméstico.” Mas isso é um sério engano. “Saguis são animais silvestres que pertencem exclusivamente à natureza, ao seu habitat, e não devem viver presos em casas ou apartamentos”, adverte. Quem quiser colaborar com o Projeto Mucky pode entrar em contato pelo telefone (11) 4023-0143 ou no site http://www.projetomucky.com.br/.

http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=71649

http://muralanimal.blogspot.com/2011/05/sos-macaquinhos.html

 
 
%d blogueiros gostam disto: